domingo, 2 de maio de 2010

A (IN)Competência dos Gestores

Recentemente tomei conhecimento de alguns fatos ocorridos em uma grande instituição financeira, com sede aqui no Paraná, e alguns deles se referem a pessoas com muito tempo de empresa.

No primeiro caso, um Executivo experiente, com senioridade não só no cargo mas também em conhecimento das operações nas áreas em que atuou. Seu currículo agrega diversas contribuições positivas que proporcionou à instituição.

Este Executivo passou mais de 6 (seis) meses sem uma função específica, sentado em uma escrivaninha com o seu computador. Periodicamente lhe acenavam com desafios, mudanças de área e até mesmo de Estado, mas o assunto nunca prosperava, por mais que ele estivesse disposto aos novos desafios. Poucos dias após o término de sua estabilidade, foi sumariamente demitido.

Um outro Executivo, também com muitos anos de casa e passagem por diversas áreas, foi instruído a ficar em casa pois não tinham atividades para ele fazer.

Uma Gerente foi demitida e depois ré-admitida por estar em período de estabilidade. Detalhe importante: uma profissional produtiva e apresentando bons resultados.

Citei apenas três casos recentes, apesar de saber de vários outros ocorridos nesta mesma instituição. Cada um deles suscita pelo menos uma questão que me intriga:

Caso 1) Se a pessoa em questão não era produtiva para a organização, como será que conseguiu permanecer por mais de 30 anos?

Caso 2) Se a pessoa era produtiva por quase todo este período, como deixou de ser às vésperas da aposentadoria?

Caso 3) Se era e estava comprovadamente produtiva, por que foi demitida?

No Caso 1, por que deixar uma pessoa “não produtiva”, por tanto tempo na organização? Será que não era produtiva em “todas” as áreas? É, no mínimo, crueldade deixar pessoas trabalhando sem realizar ações produtivas.

No Caso 2, por que não conceder uma aposentadoria digna a quem se dedicou à organização por tanto tempo? Por que não planejar em conjunto com a pessoa, uma atividade recompensadora tanto para ela quanto para a organização? Antes de retomar o Caso 3, gostaria de fazer mais algumas considerações.

Com um pouco de criatividade, todos poderiam ganhar.

Tenho informações de que esta mesma instituição há alguns anos promoveu uma festa surpresa para comemorar os 35 anos de trabalho de um Gerente Sênior com a presença de quase toda a Diretoria, inclusive o Presidente, o vice-presidente, além dos familiares e dos colegas mais próximos. O respeito era tanto que uma ambulância estava no pátio para eventualidades decorrentes de emoção.

Este Gerente ficou não só emocionado como grato à organização pelo reconhecimento do seu trabalho.

Eu pergunto: É muito difícil repetir as coisas boas?

No Caso 3, só posso deduzir que foram questões pessoais. Agora, quem decidiu tem que arcar com as consequências de uma decisão mal tomada, com reflexos óbvios no moral, na produtividade e na confiança que a equipe de trabalho depositava em seu chefe (me recuso a chamar de líder quem toma decisões deste tipo).

Nos tempos em que atuei como executivo, tive meus acertos e erros mas, com certeza, nenhum relacionado às questões que citei acima. Muito pelo contrário, sempre lutei para que este tipo de situação não ocorresse.

Na comemoração deste 1º de maio, gostaria de ter escrito coisas mais positivas sobre os Gestores mas, depois destas últimas informações que recebi, só posso ficar preocupado com a IN-Competência deles (pelo menos de alguns).

Esta organização está tentando, há anos, ser considerada como uma das melhores empresas para se trabalhar, no Brasil mas, pelo visto vai levar muitos anos tentando, ainda.

Espero, sinceramente, que esta e outras organizações acabem com este comportamento antiquado e tratem Gente como GENTE, não é tão difícil e vale a pena o esforço.

Uma ótima semana e espero ter excelentes notícias nas comemorações do próximo 1º de maio

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