terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Aposentadoria:

Estou publicando um texto do meu amigo Antônio Carlos Morassutti, com autorização do mesmo, por achar que pode nos conduzir a uma boa reflexão.

Desejo a todos um ótimo 2011

Existe Vida fora das Empresas

Já consigo enxergar a linha de chegada. Sei que agora é questão de apenas mais algumas passadas. O coração bate forte, mas as pernas se arrastam com enorme dificuldade como que puxando toneladas. O corpo está quase no limite e só se movimenta graças à enorme força de vontade. Neste momento, meu pensamento voa revendo todo o percurso feito. Ouço somente uma voz interior dizendo que vou conseguir. O pensamento vai ainda mais longe e traz de volta o período da disciplina e da perseverança para os incansáveis treinamentos visando à preparação para este momento. Cruzo a linha de chegada e contabilizo mais uma maratona realizada. Não interessa se sou apenas mais um entre os demais que estão chegando e recebendo apenas uma medalha de participação. O que realmente conta para mim é saber que cheguei, que alcancei algo que desejava, que dependia exclusivamente dos meus esforços e que não permitia desculpas. Sento para descansar e me delicio com o doce sabor da conquista...

Novamente consigo enxergar a linha de chegada. Sei que agora é questão de poucos anos para fechar mais um ciclo em minha vida. Caminho firme, sentindo que o corpo está bem e a cabeça também. Meu pensamento voa revendo os mais de 35 anos ininterruptos de carteira assinada, que tiveram início antes dos 14 anos de idade e me possibilitaram obter agora a aposentadoria pelo INSS. O pensamento vai mais longe e revejo todo o trabalho de anos, realizado com a mesma motivação e dedicação fundamentais para a realização de uma maratona, só que agora voltado para o desenvolvimento de todos os núcleos que estabeleci no meu Plano de Vida. Ao iniciar a reta final da minha carreira profissional, me preparo para logo mais cruzar a linha de chegada e saborear mais uma conquista: a da aposentadoria de fato. Sei, no entanto, que carreira / aposentadoria é apenas um dos itens do meu Plano de Vida, que contempla várias outras áreas fora do mundo corporativo. Ciente de que a vida seguirá em frente, independentemente da minha condição de aposentado ou não, me preparo para outros desafios que continuem a dar motivação e sentido à minha vida.

Enquanto aguardo a linha de chegada para fechar este ciclo, reflito sobre dois pontos que penso serem fundamentais para conquistar a aposentadoria de forma mais planejada. O primeiro é a necessidade de se ter de um Plano de Vida que contemple todos os núcleos chave que compõem a existência de qualquer pessoa. É preciso ver o todo e, a partir dele, ir construindo as partes, tendo em mente que o futuro é criado no presente. Não falo aqui de um plano super mirabolante nem de uma receita ou fórmula mágica. As pessoas são diferentes, têm formas distintas de pensar e viver e isto deve ser respeitado. Falo sim de se ter um norte/diretrizes simples que dêem um direcionamento para as ações e possibilitem focar naquilo que efetivamente se deseja alcançar. Daí a razão de cada um definir seu plano de acordo com seu estilo de vida, desejos e sonhos, tendo clareza do que deseja obter em cada um dos núcleos definidos: família, carreira, finanças, aposentadoria, saúde, lazer, vida social, espiritual, etc. e procurando harmonizá-los adequadamente nos diferentes momentos de sua caminhada. E quanto mais cedo esse plano for definido, melhor.

É importante ressaltar, no entanto, que a definição de um plano, por si só, não é garantia de nada, mas com certeza aumentarão as chances de se alcançar os objetivos propostos. Imprescindível também é assumir, de forma consciente, o controle desse plano que não pode ser delegado. Temos que efetivamente ser o “herói” do nosso plano de vida.

O segundo ponto é a visão simples que tenho de aposentadoria, que nada mais é do que poder dar continuidade ao seu plano maior de vida (após ter gerado/acumulado renda durante um período de trabalho) sem depender de um empregador e tendo a liberdade de fazer aquilo que efetivamente dê prazer (que pode até ser uma atividade profissional, mas por gosto e não por necessidade).

Há muita gente dizendo que não saberia viver sem o trabalho, mas na verdade é porque não desenvolveu outras áreas de interesse ao longo da vida ou precisa continuar trabalhando por não ter alcançado a sua independência financeira.

Para que essa independência aconteça, cada um deve avaliar, de forma honesta, o que necessitará em termos de renda para levar adiante seu plano de vida na condição de aposentado de fato e dentro de uma nova realidade. Alguns, pelo padrão de vida escolhido, poderão necessitar de muito pouco. Já outros necessitarão de muito mais e terão que continuar exercendo alguma atividade remunerada, se a renda gerada/acumulada não for suficiente. Outra questão crucial a ser trabalhada é o desprendimento com relação a cargos, títulos, “sobrenome” da empresa, egos e vaidades adquiridos durante a vida corporativa, para evitar maiores dores ou angústias na transição para a fase de aposentado.

Infelizmente, o que tenho visto na prática é bem diferente. São poucas as pessoas que realmente têm um plano de vida e, dentre estas, o número das que conseguem dar vida a esse plano é ainda menor. As razões para isto são as mais diversas, sendo a mais recorrente a falta de tempo devido às longas jornadas de trabalho impostas pelas empresas, o que até certo ponto pode ser verdadeiro. Mas não podemos esquecer também que há muita gente utilizando as empresas como esconderijo, como zona de conforto, para não enfrentar suas questões pessoais, pois lidar com elas pode ser difícil e requer uma abordagem diferente daquela utilizada no âmbito profissional. Com isto, muitas vezes, acabam desistindo de seus objetivos e sonhos.

Para não cair nesta armadilha, é importantíssimo olhar para além dos muros da empresa e ver que existe vida lá fora, a qual deve ser vivida com a mesma paixão devotada ao trabalho. É necessário, ainda, trabalhar seu plano de vida, compatibilizando os diferentes núcleos que o compõem de maneira que um possa reforçar o outro e somar para o todo. E este todo é que vai facilitar a transição para uma vida de aposentado, ou fechamento de um ciclo, de forma mais equilibrada e natural.

O esforço descrito no parágrafo inicial deste texto é apenas uma forma simples de mostrar que é possível alcançar um objetivo quando realmente o desejamos. Mas isso tem um preço e exige mais do que somente desejar: requer planejamento e muito trabalho duro. Para o desenvolvimento de um dos núcleos do meu plano de vida, tenho participado de algumas modalidades de esporte e aprendi o seguinte: só vai mais longe e ultrapassa limites quem se coloca por inteiro, através de muita dedicação, disposição e perseverança, ingredientes esses que considero indispensáveis para quem quer viver um plano de vida mais abrangente.

Não existe fórmula nem modelo pronto para definir um plano de vida. Cada um tem que fazer o seu. O que relatei aqui foi apenas o modelo mental que tem guiado minhas ações e me permitido caminhar pela vida com o sentimento de que estou fazendo a minha parte e que alguém lá em cima está fazendo a dele.

Todos nós temos sonhos e objetivos que queremos alcançar. E quanto maior eles forem, maior será o sabor da conquista. Portanto, viva a vida (quer seja agora ou na aposentadoria) e caminhe firme em direção à linha de chegada, mas não deixe jamais de apreciar também o percurso.

Antônio Carlos Morassutti –

Diretor de RH e Assuntos Corporativos da Volvo do Brasil

sábado, 18 de dezembro de 2010

Exame da OAB

O recente fato envolvendo o exame da Ordem dos Advogados do Brasil me levou a um processo de reflexão: pelo fato de encontrar profissionais de diversas áreas  com pouco embasamento conceitual e prático, imaginava  “a OAB está certa, todos os Conselhos deveriam fazer a mesma coisa”.

Agora penso diferente: este papel é dos Conselhos Profissionais ou do Ministério da Educação? Imagino agora que, após concluir todos os créditos na faculdade (residência, em caso de medicina), o Ministério da Educação deveria aplicar uma prova para aferir os conhecimentos e, somente poderia ser considerado “formado” o estudante que tivesse nota 7, por exemplo, neste exame.

A responsabilidade passaria ao MEC e não aos Conselhos Profissionais, que teriam, sim, uma atuação mais forte de fiscalização.

As alegações da OAB, a meu ver, não se sustentam, pois o exame está aferindo apenas o conhecimento técnico do bacharel em direito e não o seu caráter. O que temos visto atualmente? Advogados sendo presos por tráfico ou facilitação do tráfico. Outro sendo obrigado a abandonar o cliente por ser viciados em crack. Neste caso especifico, a OAB foi rápida em cumprir o seu papel fiscalizador e suspendeu o advogado por 90 dias.

Por que este meu questionamento? O Conselho Regional de Medicina não faz exame de proficiência antes de considerar o profissional um médico. Esta profissão, sim, considero muito mais importante que a de advogado - com todo respeito aos advogados, pois seus erros podem até ser fatais.

E os profissionais de fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia e psicologia; que podem causar danos profundos nas pessoas? Os administradores, economistas, contadores que podem causar danos irreparáveis às empresas e à economia como um todo? Engenheiros, arquitetos e tantos outros profissionais. Por que colocar a profissão de advogado acima das outras?

Cabe agora, ao Ministério da Educação, tomar as devidas providências para garantir que os formados realmente possuam um cabedal de conhecimento técnico que os permita exercer a profissão. Infelizmente ainda não temos como aferir, prontamente, as qualidades morais, mas essa, eu espero que o tempo mostre com clareza, separando os bons dos maus profissionais.

Ótima semana, um Feliz Natal e um ano de 2011 cheio de saúde