terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Algumas reflexões sobre “liderança”

Depois de muito tempo sem aparecer (não por falta de assunto mas por falta de tempo de coloca-lós no papel ou, melhor, na tela), resolvi compartilhar algumas reflexões sobre a “liderança”.

Por que coloquei o “liderança” entre aspas e em minúsculo? Pelo simples fato de me referir àquela que é de alguma forma imposta. Em algum momento de sua trajetória profissional este “líder”, de alguma forma, fez por merecer a sua promoção, mesmo que por escassez de outros candidatos ao posto. Mas no que evoluiu? Em nada.

Imagine que este “líder” trabalhe como responsável pela área industrial de uma fábrica e lhe seja dada a chance de fazer uma revolução na produtividade da área de fábrica, mesmo que esta chance tenha sido oferecida em caráter mandatório pela matriz. O que você faria em seu lugar?

Direi o que eu faria: me empenharia bastante para tornar a minha área um modelo de referência, em comparação com as demais fábricas do grupo. Colocaria alguém de minha confiança e que fosse muito competente para conduzir a operação do projeto; e contrataria consultores experientes e que já tenham apresentado resultados, para me ajudar no processo.

Reuniria todas as pessoas que estivessem ligadas direta ou indiretamente a mim, em uma reunião rápida e diria quais os objetivos a serem perseguidos e que o meu apoio ao processo seria irrestrito. Reforçaria este comentário para meus subordinados diretos e pediria a eles que me ajudassem, engajando-se diretamente nas atividades necessárias.

Agora vamos à vida real

O que realmente aconteceu durante quase dois anos de trabalho: só foram feitas duas reuniões envolvendo o responsável operacional e a consultoria, mesmo assim sem qualquer demonstração de entusiasmo.

Na grande maioria dos eventos em que grupos da área de fábrica trabalhavam em melhorias, ao final das apresentações, quando muito era dito “obrigado”, sem se esboçar qualquer tipo de emoção ou entusiasmo.

O “líder” disse em público que apoiava o programa e, ao mesmo tempo, enviava peças-chave para uma outra filial, durante dois meses e, no retorno, dizia ao funcionário: – Nada de pensar em melhorias, vamos nos concentrar no dia-a-dia.

Os resultados após a implantação do programa foram muito bons e já cobriam com folga os investimentos feitos, inclusive com o pagamento da consultoria.

No dia-a-dia, o pessoal de fabricação era tratado com um rigor excessivo, mas até já estava acostumado (o que é péssimo). A parte mais “engraçada” eram os prazos de entrega. O “líder” cobrava um determinado prazo, absolutamente impossível de ser cumprido (pois, muitas vezes, dependia-se de materiais de terceiros que estavam programados para chegar em data posterior à prometida para ele). Quando perguntávamos ao líderes de área o que fariam para cumprir, eles respondiam: – Não vamos cumprir e já tenho aqui as desculpas para apresentar por não ter cumprido o prazo que prometemos.

Seria cômico se não fosse trágico.

Menos de uma semana depois de o patrocinador do programa ter saído da matriz, o contrato com a consultoria é cancelado, sumariamente, sem mesmo uma reunião de comunicação oficial.

Leitores, não pensem que o que conto é um fato isolado. Citei apenas uma das muitas histórias que temos vivenciado em nossos trabalhos de consultoria e treinamento junto às empresas. O pior de tudo é que estas empresas são rentáveis, mas acreditamos que seriam muito mais caso a gestão fosse outra mas. Ficam algumas questões para discutirmos:

“Será que a maioria das teorias de administração está errada? Que tratar bem as pessoas não dá resultado, saber e negociar prazos de fabricação exequíveis não fica bem para os clientes e é melhor pedir desculpas pelo atraso?”

Mesmo com o exemplo de empresas que fazem sucesso, muito sucesso, tratando bem os seus colaboradores, clientes e fornecedores, outras teimam em continuar medíocres.

Espero que tenha sido uma boa leitura depois de muito tempo de ausência.

Humberto Souza

 

 

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