segunda-feira, 5 de março de 2012

Curva forçada

Uma pausa nos “Hábitos” para falar sobre um tema que foi abordado recentemente por um grande amigo

Existe uma situação que me incomoda desde o meu início de carreira (e já se vão mais de 30 anos): a chamada bell curve (“curva de sino”), aquela que estabelece que um pequeno percentual dos funcionários é excelente, um percentual é bom, a grande maioria está na média, um percentual ainda tem salvação e um número “X” tem que ser demitido pois não serve para a organização.

Para mim, o crime acontece em etapas:

1) As empresas deveriam, sempre, buscar a excelência. Por que só um pequeno grupo pode ser classificado assim? Não quero banalizar a excelência, mas será que almejamos somente 5% do nosso pessoal nesta categoria?

2) Por que temos de ter um percentual de pessoas que estão à beira do abismo?

3) E (para mim a mais importante), finalmente, por que temos que desligar um número X de pessoas, obrigatoriamente?

Com relação a este último ponto, tive um relato interessantíssimo de uma amigo que trabalha em uma grande empresa, utilizadora deste modelo.

Ele estava planejando desligar um funcionário que não atendia aos padrões de desempenho do Departamento, quando foi aconselhado pela área de RH a esperar que o dito funcionário pedisse demissão. Foi o que aconteceu. Agora, o RH está dizendo que “pedido de demissão não vale” e que ele “tem que desligar alguém”. Vejam que absurdo.

A empresa quer gastar dinheiro e fazer com que as áreas mantenham em seus quadros pessoas que não estejam produzindo a contento somente para ter alguém para desligar na revisão anual.

O pontos para reflexão são:

  • Vamos ou não vamos buscar a excelência?
  • Vamos ou não vamos querer que 100% das pessoas que trabalham em nossas áreas sejam de alta performance?
  • Se temos que nos enquadrar na “Curva forçada”, manteremos alguém improdutivo, somente para ter quem demitir?

Está mais do que na hora das áreas de Recursos Humanos se voltarem para a busca da excelência e não ficar presas a modelos que foram importantes no passado mas que não mais atendem à nova sociedade do conhecimento.

Ótima semana!

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