quinta-feira, 22 de março de 2012

O Legal X O Correto

Vamos dar uma pausa nos Hábitos para discutir um pouco sobre a diferença entre as atitudes Corretas e as Legais.

A Faculdade Cásper Líbero recentemente demitiu o professor e jornalista Edon Flosi, funcionário há 16 anos. O fato poderia ser normal (se é que podemos chamar de normal um desligamento repentino de alguém com 16 anos de casa), não estivesse o referido professor lutando contra um câncer.

O fato é absolutamente legal e a faculdade, como diriam os juristas, está dentro do seu “Direito Potestativo” (direito daquele que está revestido de poder), e imagino que vá pagar todos os direitos trabalhistas do professor.

Em nota enviada à reportagem às 18h, a Cásper disse "reconhecer o mérito" do trabalho do professor Flosi, mas seu desligamento - ocorrido meramente por questões internas - foi efetuado nos termos da lei".

Dito isto, vamos ao “Correto”. É correto demitir alguém ainda produtivo (estava atuando como Assessor de Diretoria, pela dificuldade em cumprir o calendário de aulas) e que luta contra uma doença grave? É correto privar a pessoa da possibilidade de ser útil e deixa-la psicologicamente mais vulnerável?

Depois da repercussão do fato, do protesto dos alunos e do pedido de demissão do jornalista Caio Túlio Costa, em solidariedade ao colega de instituição, vejam a nota da Cásper Líbero:

Em nota, a faculdade afirmou que, "em consideração ao trabalho desenvolvido pelo professor Edson Flosi na instituição e atendendo a demanda dos alunos, convida, publicamente, o docente a reassumir suas funções". A Cásper agradeceu também pelas manifestações de apoio a Flosi e Costa.

Eu pergunto: onde está a consideração ao trabalho desenvolvido pelo professor? Só aconteceu depois da repercussão negativa do fato?

Infelizmente, a maior parte das empresas age desta forma, tratando as pessoas apenas como números. O professor demonstrou claramente o que é ter dignidade: Flosi também divulgou uma nota. "Minha resposta: não volto, não posso e não devo voltar." Ele repudia "manobra para esvaziar o movimento estudantil". Após o episódio, alunos se colocaram contra a direção e pediram melhorias na faculdade.

Poucas são as exceções, e posso citar a Nutrimental como exemplo: Em junho de 1993 eu deixei a empresa para me tornar consultor. Fiz um contrato verbal com a empresa para os primeiros 4 meses a ser repactuado ao fim do prazo. Em 1 de agosto do mesmo ano, fui atropelado com graves ferimentos. Ainda no hospital recebi uma ligação do meu ex-diretor dizendo que o contrato estava prorrogado sem prazo de término e que o mais importante era que eu pudesse me recuperar. Fato que ocorreu em julho de 1994.

Ainda bem que existem exceções. Poucas, mas existem.

Vamos refletir se devemos fazer o que a lei permite ou o que é Correto ser feito?

Boa reflexão

 

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